Artista defende a preservação da ancestralidade negra, critica a mercantilização da cultura e sustenta a liberdade econômica como pilar da independência criativa.
A arte de rua, longe de ser neutra ou apenas estética, carrega marcas profundas de memória, resistência e identidade. É nesse território simbólico que o artista Kleber Moreira constrói sua narrativa: um conservadorismo negro que não se confunde com moralismo, mas se afirma como guarda da história, dos símbolos e das tradições que antecedem modismos e viralizações.
No manifesto apresentado pelo artista, a rua é definida como espaço vivo, carregado de ritmo, silêncio e marcas deixadas por gerações que resistiram antes de a cultura negra se tornar tendência de mercado. Kleber rejeita a ideia de uma arte submetida a tutores ideológicos, editais que domesticam discursos ou militâncias passageiras. Sua produção, segundo ele, nasce do compromisso com o povo que reconhece o traço, o código e o peso da ancestralidade.
A estética defendida por Kleber Moreira valoriza símbolos africanos e afrodiaspóricos, elementos religiosos e narrativas que foram historicamente marginalizadas. Há também uma crítica direta ao apagamento cultural promovido por marcas e instituições que, ao se apropriarem dessas expressões, esvaziam seu significado original em troca de validação comercial ou institucional.
Outro ponto central do posicionamento do artista é a defesa da liberdade econômica. Para Klebinho, autonomia financeira é condição essencial para a independência criativa. “Artista sem autonomia vira vitrine”, afirma, ao destacar que o mercado não é o inimigo a dependência é. Nesse sentido, sua visão liberal na economia caminha lado a lado com a preservação da tradição cultural, entendida como algo que não se negocia, mas se sustenta.
Ao priorizar a comunidade local em vez da validação externa, Klebinho Moreira reforça a ideia de que a arte de rua é tradição viva, construída no cotidiano e na experiência coletiva. Mais do que expressão individual, seu trabalho se coloca como um ato de resistência cultural em um cenário marcado por tentativas recorrentes de descaracterização da memória negra.