Análise assinada por Kleber Moreira aponta que potencial existe, mas estagna por falta de prioridades básicas e continuidade de políticas públicas
A expressão o Brasil é o país do futuro se tornou um bordão presente no imaginário nacional. Com o passar dos anos, porém, a frase ganhou tom irônico. Para muitos, ela representa uma promessa repetida, mas nunca entregue. Em análise publicada nas redes, o comunicador Kleber Moreira destrincha as razões que mantêm o país preso a um ciclo de potenciais desperdiçados e o que seria necessário para romper esse padrão.
Moreira destaca que o Brasil possui vantagens reais: vasta extensão territorial, riqueza ambiental, população jovem, potência agrícola e uma matriz energética considerada das mais limpas do mundo. Apesar disso, ele ressalta que potencial sem gestão e continuidade é apenas expectativa, não desenvolvimento.
Entre os entraves mais urgentes estão áreas estruturantes que, segundo ele, nunca foram resolvidas. Na educação, o desempenho insuficiente da escola pública limita oportunidades e aprofunda desigualdades. No saneamento básico, a falta de água tratada, coleta de lixo e esgoto tratado gera doenças, evasão escolar e gastos elevados em saúde. A segurança pública sofre com ausência de integração, pouca inteligência estratégica e um sistema penal superlotado, permitindo que o crime organizado ocupe espaços do Estado.
A saúde, apesar da importância do SUS, enfrenta subfinanciamento e desigualdades regionais. Já a moradia reflete um déficit histórico somado à falta de planejamento urbano, empurrando milhões para situações de risco.
O articulador aponta ainda obstáculos que se repetem há décadas: descontinuidade entre governos, fragilidade na gestão pública, desigualdade profunda, prioridades distorcidas e corrupção. Esses fatores, somados, dificultam que o país avance de forma consistente.
Ainda assim, Moreira enxerga motivos para esperança. Ele cita investimentos recentes em saneamento, maior acesso ao ensino superior, avanços tecnológicos, potencial energético estratégico e o surgimento de cidades que inovam em urbanismo e educação. Para ele, existe chance real de avanço desde que o Brasil construa um projeto de nação, e não apenas de governo.
O texto encerra com uma síntese firme:
O Brasil pode ser o país do futuro se finalmente escolher construir o presente.