Iniciativa, ainda no papel, propõe unir música popular, poesia e resistência cultural em espaços públicos
O artista de rua Klebinho Moreira, já conhecido em Barbacena por suas apresentações no centro da cidade, está desenvolvendo um novo projeto: Agro Música de Rua. A ideia, ainda em fase de planejamento, pretende transformar a música em ferramenta de resistência, memória e diálogo com o povo.
Klebinho explica que o “Agro” do projeto não tem relação com o agronegócio empresarial, mas com a agricultura de base, a vida simples e a comida real. “É o som do feijão cozinhando, da feira, da favela e da roça. Música que nasce da terra e chega às ruas para alimentar”, afirma o artista.
O conceito valoriza a rua como o espaço mais democrático que existe. Sem palcos formais, censura ou barreiras sociais, a proposta busca levar arte para todos, unindo poesia, voz e violão em apresentações abertas.
A proposta também dialoga com a história da arte de rua no Brasil, que sempre foi mais do que entretenimento: foi resistência. Para os negros, desde os tempos da escravidão, cantar e dançar era uma forma de sobreviver. A capoeira, o samba e o tambor nasceram como expressões de luta disfarçadas em arte. Após a abolição, quando a rua se tornou o único palco possível, a cultura popular transformou esse espaço em revolução. “Cada batuque e cada verso dizem: estamos vivos, estamos fortes, estamos na pista”, reforça Klebinho.
Embora ainda esteja no papel, o Agro Música de Rua já nasce com um propósito: mostrar que o som também é alimento. Um alimento que comunica, resiste e fortalece a cultura popular, trazendo para a calçada a memória viva de quem nunca aceitou o silêncio.
Encerramos esta matéria reforçando que projetos como o Agro Música de Rua celebram a arte como força de resistência e identidade, reafirmando a rua como palco de todos.