Patrimônio ferroviário do século XIX foi localizado em Lima Duarte após investigação da Polícia Civil; Portal Marcus Viny apurou detalhes da suposta negociação
O desaparecimento de uma ponte metálica histórica na zona rural de Prados, no Campo das Vertentes, ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (10). Após dias de investigação e repercussão em todo o estado, a estrutura foi localizada em uma fazenda no distrito de Mongol, município de Lima Duarte, na Zona da Mata mineira.
A descoberta ocorreu durante diligências conduzidas pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da retirada da ponte e eventual responsabilidade dos envolvidos.
Segundo informações apuradas pelo Portal Marcus Viny junto a fontes que acompanham o caso, a estrutura teria sido negociada por aproximadamente R$ 700 mil antes de ser transportada para a propriedade rural onde foi encontrada. O valor ainda não foi oficialmente confirmado pelas autoridades, mas integra uma das linhas investigativas que estão sendo analisadas pela Polícia Civil.
O caso chamou a atenção pela complexidade da operação necessária para remover uma estrutura metálica de grande porte. Com cerca de 20 metros de comprimento, a ponte fazia parte de um trecho desativado da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas, um dos mais importantes patrimônios ferroviários do estado.
Instalada originalmente na região conhecida como “58”, entre a comunidade da Estação de Prados e a localidade de Envernada, próxima à BR-265, a estrutura possuía não apenas relevância histórica, mas também valor cultural para a memória ferroviária mineira.
Historiadores apontam que a ponte foi fabricada na Inglaterra e trazida ao Brasil durante o século XIX, período marcado pela expansão das ferrovias que impulsionaram o desenvolvimento econômico de diversas regiões do país.
O desaparecimento da estrutura provocou indignação entre moradores, estudiosos e defensores do patrimônio histórico. Muitos questionaram como uma ponte de grandes dimensões poderia ser desmontada, transportada e instalada em outro local sem despertar atenção imediata.
Agora, os investigadores trabalham para esclarecer quem autorizou a retirada da estrutura, quais pessoas participaram da negociação e se houve irregularidades envolvendo patrimônio histórico ou possíveis crimes contra bens de interesse público.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que novas informações poderão ser divulgadas à medida que o inquérito avançar.
O caso também reacende o debate sobre a necessidade de proteção e fiscalização dos bens históricos espalhados pelo interior de Minas Gerais, estado que possui um dos mais ricos acervos ferroviários do Brasil.