Quando a cidade enfim adormece, algumas luzes resistem e contam histórias que ninguém vê.
No alto dos prédios, quando a noite já esqueceu o movimento das ruas, algumas janelas continuam acesas teimosas, silenciosas, transparentes demais.
Ali pode morar a insônia de quem espera uma mensagem que não chega. O estudante atrasado que tenta salvar o semestre.
O trabalhador da madrugada que revisa contas, boletos e sonhos.
Pode ser também alguém que simplesmente não consegue desligar o mundo.
A cidade inteira dorme, mas essas janelas vigiam. São pequenos faróis que denunciam a vida real: o país que não tem horário para se preocupar.
Cada lâmpada acesa é um relato íntimo, uma história em suspenso.
A solidão que se vê de fora não é silêncio é resistência.
Porque quem manteve a luz ligada hoje, provavelmente está lutando para seguir iluminando o próprio caminho.
E, no escuro das grandes cidades, uma única janela acesa pode ser o sinal de que ninguém está completamente sozinho.