Entre buzinas contidas e passos apressados, a segunda-feira revela o Brasil que recomeça ainda sonolento, mas cheio de promessas silenciosas.
Crônica:
Há um silêncio curioso nas cidades quando chega a segunda-feira.
Não é o mesmo silêncio dos domingos, que tem cheiro de descanso e feijão no fogo.
O silêncio da segunda é tenso, cheio de urgência contida, como se o país inteiro respirasse fundo antes de voltar à rotina.
As ruas parecem acordar com cuidado. O barulho dos ônibus surge devagar, as padarias ainda têm mesas vazias e os olhares se cruzam sem palavras todos sabem que o dia só começa de verdade depois do segundo café.
Entre buzinas tímidas e passos apressados, o Brasil se recompõe. O trabalhador ajeita o crachá, o estudante se despede do travesseiro e a cidade, mesmo cansada, volta a pulsar. É nesse instante que o cronista percebe: o barulho do progresso sempre nasce de um silêncio.
E toda segunda-feira é, no fundo, uma chance de recomeçar o país dentro da gente.